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nabodogato

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O Tavares

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"Eis-nos deante do Caíé-Restaurante Tavares o autêntico, o «Tavares Rico», que é um capítulo de crónica tentadora.

É dos mais antigos estabelecimentos da Rua de S. Roque em todos os ramos de negócio, o morgado, o avô-senhor dos restaurantes bairristas, e enfileira assim no número restricto dos «recomendados» toda a Lisboa.

O café Tavares foi notável em Lisboa, ainda nos seus tempos de botequim, aí pelo começo do século XX, e na época D. Miguel.

Mas vinha de mais longe, foi fundado em 1784 por Nicolau Massa, o Talão, pertencendo já em 1823 a Manuel Tavares, assistido de seu irmão António, ambos duas figuras caricaturais, vestindo sempre de jaqueta, e , no botequim de sapatos de ourelo, o primeiro macambuzio o segundo jovial - e conspirador.

Em meados de oitocentos os Tavares haviam desaparecido e o café botequim, veio às mãos de um galego e esse o trespassou a um Pimenta.

Em 1861 era Vicente Caldeira que deu sociedade ao filho Manuel Caldeira, depois único proprietário e que na casa fez grandes transformações.

Morreu em 2 de Agosto de 192 o Manuel Caldeira que muita gente ainda conheceu, o estabelecimento passou para Miguel Miguez

Vilan, já gerente da casa e nela empregado desde os 14 anos, e que por sua vez deu sociedade a seu filho José.

O «Tavares»—foi  transformado em   1891 e em 1903.

Em 1921 acrescido do primeiro andar, modernizado tornou-se um restaurante de luxo, sem perder de todo o seu ambiente alfacinha, S. Roque puro.

Políticos, jornalistas, escritores, artistas, diplomatas e boémios -

do espírito e da própria política —que também tem a sua boémia- por aqui passaram, nas fases do jornalismo literário, nos periodos humorístico-sentimentais que  caracterizam  as revoluções de ideias e de processos. Já o velho Manuel Tavares em 1823 era perseguido por ideias Politicas (que aliás eram as de um seu irmão); 0 botequim de há duzentos anos andava sob as vistas dos beleguins do Alcaide de S Roque.

Manuel Tavares o primeiro dono de botequim que fêz afixar o clássico letreiro: «O dono desta Casa não consente aqui discórdias nem conversacões e opiniões políticas».

Afinal veio o liberalismo e o «Tavares» respirou; com a passagem os Caldeiras, e depois pela evolução dos costumes, o Restaurante «chique» de S. Roque tornou-se um lugar de bem estar, por vezes tertúlia, «cercle», conferência, bom tom, não se deixando cair na «coquetterie».

No prédio, propriedade de D. Adelaide Caldeira, morou durante muitos anos, e nele morreu, o artista Manuel Gustavo, filho de Rafael Bordalo."

 Peregrinações em Lisboa / descritas por Norberto de Araújo ; acompanhadas por Martins Barata. – Lisboa : Parceria A.M. Pereira, [1938]-1939

  

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